Desde janeiro de 2026, passaram a valer as novas regras de registro e circulação de ciclomotores no Brasil. A resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelece exigências relacionadas a equipamentos de segurança, registro e emplacamento dos veículos, além de determinar que a condução só pode ser realizada por condutores com CNH categoria A ou ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor).
De acordo com a norma, são considerados ciclomotores os veículos de duas ou três rodas que atendam aos seguintes critérios:
• Motor a combustão interna de até 50 cilindradas (as chamadas “cinquentinhas”);
• Ou motor elétrico com potência máxima de 4 kW;
• Velocidade final limitada a 50 km/h.
Impactos no mercado e novas oportunidades
Com a entrada em vigor das novas regras, o mercado de seguros passa a enxergar oportunidades relevantes nesse segmento. Para Davi Monteiro, diretor de Produtos e Riscos da Split Risk Seguradora, a tendência é de crescimento na procura por seguros para ciclomotores, impulsionada por dois fatores principais.
“O primeiro ponto é o novo marco regulatório, que passa a exigir registro, placa, licenciamento, CNH (categoria A ou ACC), além do uso de capacete e equipamentos obrigatórios. Essa formalização faz com que o proprietário passe a enxergar o ciclomotor como um ativo de maior responsabilidade, o que estimula a contratação de proteção financeira, de forma semelhante ao que ocorreu no passado com as motocicletas de baixa cilindrada”, explica.

O segundo fator está diretamente ligado à expansão desse mercado. Segundo dados divulgados pela InfoMoney, em 2025, as bicicletas e ciclomotores elétricos registraram crescimento de 32% no Brasil e 72% na cidade de São Paulo.
“Com mais usuários circulando e maior fiscalização, cresce também a percepção de risco. Esse cenário tende a aumentar naturalmente a demanda por seguros”, completa Davi.
Estratégia e foco da Split Risk
Diante desse novo contexto, a Split Risk Seguradora identifica três frentes claras de oportunidade: a expansão de um nicho ainda pouco explorado, o desenvolvimento de produtos mais aderentes ao risco real e a ampliação de parcerias estratégicas.
“Com a obrigatoriedade de CNH ou ACC, capacete e equipamentos de segurança, o perfil médio do condutor tende a melhorar, o que contribui para a redução da severidade dos sinistros. Isso abre espaço para produtos mais acessíveis, sustentáveis e com tarifas competitivas, especialmente para coberturas de roubo e furto, que representam a principal dor desse segmento”, destaca.

Além disso, o crescimento das vendas de ciclomotores, especialmente os modelos elétricos, amplia as possibilidades de parcerias no modelo B2B2C.
“Já operamos com ofertas integradas de seguro por meio de aplicativos, consórcios e plataformas digitais. Esse é um caminho natural também para o mercado de ciclomotores”, afirma.
Atualmente, a Split Risk Seguradora já atua com produtos de proteção para ciclomotores emplacados. Com o avanço da regulação e a licença definitiva da companhia, a estratégia é ampliar e especializar ainda mais o portfólio.
“Nosso foco é fortalecer a linha de produtos voltados a veículos leves eletrificados e de baixa cilindrada. Com a licença definitiva, também passamos a explorar novos mercados, como o de veículos não emplacados, a exemplo de bicicletas elétricas e scooters”, conclui Davi.